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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Leitura de Seminários de Lacan

 

Leitura de Seminários de Lacan -- Seminário 1 

 

Comecei minha vida de Psicanalista e com ela a responsabilidade em ler os Seminários de Jacques Lacan (1901-1981). Comecei com o 1º Seminário, e os 4 primeiros com a MAIS 1 a psicanalista Aída Schwab aqui em São Paulo, na região do Morumbi, bem perto do Estádio. Alguns estudos fazíamos em seu consultório, outros nas padarias da região. Tomávamos um suco e discutíamos Psicanálise. Ela sempre disposta a ensinar de uma forma leve e engraçada. Muito agradável de trilhar os passos da psicanálise lacaniana, que não é tarefa fácil! Tínhamos um grupo de colegas, todas fazendo sua análise pessoal, passo importantíssimo para o caminho de ser analista. Para contribuir com o crescimento do outro, é preciso cuidar muito de si!




O 1º Seminário li no ano de 1998, recém formada, acabara de fazer Psicologia na PUC- SP e em conexão ao Seminário, relemos os textos técnicos de Freud. Foi uma experiência essencial para a clínica. Me trouxe técnica, clareza e precisão para a atuação em consultório.

Segundo Lacan, no Seminário 1 :

“O primeiro ano de meu seminário, dedicado aos escritos técnicos de Freud, consistiu essencialmente em apresentá-Ios a noção da função do simbólico como a única capaz de dar conta do que podemos chamar de determinação no plano do sentido, na medida em que essa é a realidade fundamental da experiência freudiana”   Lacan, 1º lição, Sem. 5.

 

No Seminário 1 – ao falar dos textos técnicos de Freud  -  Lacan discute pontos básicos e essências da clínica: pulsão, narcisismo, transferência. Dando a direção do tratamento, transmitindo técnica e metodologia para a atuação clínica. Neste 1º Seminário, Lacan já apresenta a noção de Real, Simbólico e Imaginário, mas, ainda existe uma soberania do simbólico, do significante e da linguagem em seu modo de pensar o tratamento. Isso se estende até o Seminário 7 em que apresenta uma inversão bem interessante ao introduzir com mais requintes de detalhes, a noção de gozo em conexão com a obra de Marquês de Sade.

Em 2021 retomei esses textos clássicos de Freud em parceria com a leitura do 1º Seminário de Lacan de forma online. Ficou gravado e hoje se encontra na plataforma Sympla para aqueles que queiram ter acesso ao conhecimento. Com exemplos clínicos e debates psicanalíticos, sempre preservando o sigilo do sujeito, a Clínica de Psicanálise Lacaniana tem o compromisso de ler a letra de nossos mestres e trazer o conhecimento de maneira que Freud e Lacan estejam sempre vivos! Eles transmitem conceitos e técnicas preciosas que precisam sobreviver ao tempo e se perpetuar para que mais e mais pessoas tenham acesso a sua ética de tratamento.

A ideia é transmitir psicanálise de maneira simples. Neste ano de 2025, a Editora UNBEWUSSTE irá publicar o livro: Clínica e Supervisão: Entrevistas Preliminares - psicanálise lacaniana. Tendo como base o Seminário 1 e os textos técnicos de Freud. Junto a isso, teremos Colete Soller com a questão dos laços disruptivos, ghosts e todas as dificuldades de vínculos e laços afetivos que a sociedade atual passa. E Serge André com sua perspectiva da modalidade de gozo perverso. Tão em voga no século XXI. Sejam bem vindos à Clínica de Psicanálise Lacaniana UNBEWUSSTE e sua Editora.

Por: Fabiana Ratti, psicanalista 


Visite nosso Espaço de Estudos online e escolha a leitura de texto que gostaria:

https://www.unbewusste.com/espaco-estudo-unbewusste-psicanalise-lacaniana.html

Visite nossa Editora Unbewusste e escolha o livro que deseja:

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Espinho na Roseira


Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão
Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão
Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão
Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão

Pedro Alcântara do Nascimento
Amava Rosa Albuquerque Damião
Pedro Alcântara amava Rosa
Mas a Rosa num amava ele não
Rosa Albuquerque amava Jorge
Amava Jorge Benedito de Jesus
E o Benedito, Benedito Jorge
Amava Lina que é casada com João
E o João, João sem dente
Amava Carla, Carla da cintura fina
E a Carla, linda menina
Amava Antônio Violeiro do Sertão

E o sertão vai virar mar
E o mar vai virar sertão
E o sertão vai virar mar
E o mar vai virar sertão
E o sertão vai virar mar
E o mar vai virar sertão
E o sertão vai virar mar
E o mar vai virar sertão

E o Antônio, Cabra da Peste,
Amava Júlia que era filha de Odete
E a Odete amava Pedro
Que amava Rosa que era prima de Drumond
E o Drumond que era casado
Com Maria, que era filha de Sofia,
Mãe de Onofre e de José
E o José era casado com Nazira,
Que era filha de Jandira,
Concubina de Mane
E o Mane tinha dezessete filho,
Dez home e seis menina
E um que ia se resolver
E o rapaz tava já na adolescência
Tinha brinco na orelha
E salto alto pra crescer

Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão
Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão
Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão
Tem espinho na roseira
Oi cuidado, vai cortar a mão
E o Rodolfo, que já era desquitado
Era homem mal amado
Não queria mais viver
Encontrou Maria Paula de Arruda

Que lhe deu muita ajuda,
Fez seu coração nascer
E são essas histórias de amor
Que acontecem todo dia, sim Senhor

E são essas histórias de amor
Que acontecem todo dia, sim Senhor



Essa música: Espinho na Roseira, escrita por André Abujamra da Banda Karnak,  consegue fazer uma intertextualidade entre vários autores, ou seja, uma conversa entre grandes da música e da literatura.

1 – A Quadrilha – poema de Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Que inspirou também Chico Buarque com a música Na Flor da idade

2 – O Sertão vai virar mar de Moacyr Scliar, inspirado na saga de Antônio Conselheiro, em Canudos no Sertão Bahiano, uma discussão adolescente da tenra história narrada por Euclides da Cunha em Os Sertões.


Poemas, músicas, romances dialogam...
Essa música, Espinho na Roseira, inspirada em outros autores traz verdades que aparecem no consultório de psicanálise...
Rosas lindas e cheirosas... mas com espinhos... como é fácil sofrer por amor...
O jogo da Quadrilha mostra o desejo sempre em busca de algo novo e diferente que nem sempre é correspondido... que precisa de luta e muita coragem para transformar a realidade vivida... do sertão virar mar ou do mar virar sertão...

Em sua última estrofe Abujamra diz:

E são essas histórias de amor
Que acontecem todo dia, sim Senhor

Quando a pessoa está passando por essa sensação de desilusão amorosa, o quanto ela sente como se fosse apenas ela e que é uma dor que nunca terá fim... então, o tempo vai passando e... um novo amor aparece, um novo encontro e um novo desencontro... Faz parte da vida, das entregas e dos amores...

A questão é não ficar apenas nisso. É fazer vínculos, construir relações sólidas, se dedicar aos amores para ter uma nova realidade.

Mas, Como dizia o poeta, Vinicius de Morais também homenageia esse momento não correspondido que todo ser humano passa e se não passou, terá de passar:

Porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu!!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cinquenta tons de cinza – Filosofia na Alcova





Por: Fabiana Ratti, psicanalista 

Cinquenta tons de cinza, trilogia da inglesa E. L. James, retoma livros como: Justine, A Filosofia na Alcova, 120 dia de Sodoma, entre tantos escritos pelo aristocrata francês e escritor libertino Marquês de Sade (1740 – 1814). Assim como a moda, as tendências são cíclicas, causando impacto e furor como se fossem a primeira vez. Na época de Napoleão, esses pensadores que incluíam a sexualidade como forma de sadismo ou masoquismo em sua livre escrita, eram encarcerados, hoje ganham os holofotes de Hollywood e muito dinheiro, algo mudou na sociedade.  

Marquês de Sade, alémda questão sexual era ateu, o que na época era bastante questionável,fazia críticas mordazes à sociedade, utilizava-se do grotesco e do horror para discutir questões morais e filosóficas. Sua obra também gerou filmes e peças teatrais, como as muitas apresentadas pelos Satyros, na Praça Roosevelt em São Paulo. 

Podemos pensar outro exemplo, um fenômeno da década de 1990 que foi a “inteligência emocional”. Todos falavam como uma novidade, livros e livros foram vendidos em profusão, mas não era simplesmente uma renomeação do que Freud havia dito em 1900: Todos temos aparelho psíquico e precisamos saber lidar com ele para agir no mundo, na vida, no trabalho e na família?

Bom, assim, podemos ir de exemplos em exemplos pois a sociedade gosta do ar de novidade com uma pitada do já conhecido. Faz parte. E. L. James discute a questão do sadismo na versão feminina. Como psicanalista, só consigo dizer o quanto a discussão filosófica por traz dos abusos sexuais na obra do Marquês de Sade revolucionou a psicanálise lacaniana. Lacan se deu conta do quanto o ser humano não tem um princípio kantiano, ele não busca um bem comum, um bem universal. Dessa forma, ele não busca um prazer, ele busca algo para além do princípio do prazer. O ser humano tem um desejo bem singular, único e, muitas vezes, se coloca em certas posições frente ao outro, deixando com que o outro o sadomize, colocando-se como vítima, sem se responsabilizar pela posição que ocupa, que seja na vida ou nas relações afetivas e sexuais.

Sexo, entre tantos assuntos é sempre mais efervescente, dá mais polêmica e assim aquece o mercado! Como psicanalista, mesmo sabendo que é algo da condição humana, concordo com Caetano Veloso: porque rimar amor e dor?