quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Washington D. C. - Por que a guerra?


 

Fiquei bem impactada ao conhecer Washington, a capital dos Estados Unidos. Primeiro porque nunca imaginei conhecer... mas como estávamos em Nova York, era perto... fomos até lá. Depois, porque senti uma atmosfera forte de guerra, tensão no ar, armamento. O espaço aéreo sempre ocupado por aviões privados e helicópteros transitando o tempo todo. Policiamento a cada esquina. Diversas esculturas e monumentos homenageando mortos de guerra, ações de batalhas e mil armamentos. As instituições e órgãos públicos cheios de defesa, câmera de segurança, revisão de material, documentação para entrar.

A evidência de um país em guerra e que sempre esteve em guerra.

O mais triste e impactante foi ver saindo do Departament of Veterans Affairs um homem com a face distorcida, muito provavelmente - efeitos de guerra.

A guerra distorce tudo e todos.

Um dos últimos textos publicados por Freud chama-se “Por que a guerra?” e trata-se de uma carta resposta a Einstein que escreve ao pai da psicanálise interrogando os motivos emocionais que fazem as pessoas guerrearem ao invés de caminhar pelo diálogo e pela diplomacia. Que necessidade é essa de precisar destruir o outro, invadir territórios, querer tanto domínio e dinheiro a custo de vidas? Não seria essa uma das razões de tanta dor emocional e problemas sérios psicológicos da atualidade?

Einstein argumenta que o ser humano já havia chegado, naquela época (1934), a um patamar intelectual que deveria ser óbvio que não acontecessem essas atrocidades. Freud explica que no emocional existe um além. Uma satisfação incomensurável de ir além que ultrapassa o simbólico e a diplomacia. Freud diz que o ser humano vive uma constante luta entre as pulsões de vida e de morte. Esta luta permeia muitas das dificuldades e esforços humanos como: parar de beber, fumar, comer em demasia, brigar.  E o crescimento do sujeito e da humanidade está em conseguir prorrogar seus impulsos em prol de desejos e projetos em comuns com a sociedade, abrindo mão de embates físicos e destrutivos... Ainda há um caminho para alcançarmos este objetivo!

Fabiana Ratti, psicanalista.


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