Fiquei bem impactada ao conhecer Washington,
a capital dos Estados Unidos. Primeiro porque nunca imaginei conhecer... mas
como estávamos em Nova York, era perto... fomos até lá. Depois, porque senti
uma atmosfera forte de guerra, tensão no ar, armamento. O espaço aéreo sempre
ocupado por aviões privados e helicópteros transitando o tempo todo.
Policiamento a cada esquina. Diversas esculturas e monumentos homenageando
mortos de guerra, ações de batalhas e mil armamentos. As instituições e órgãos
públicos cheios de defesa, câmera de segurança, revisão de material,
documentação para entrar.
A evidência de um país em guerra
e que sempre esteve em guerra.
O mais triste e impactante foi
ver saindo do Departament of Veterans
Affairs um homem com a face distorcida, muito provavelmente - efeitos de
guerra.
A guerra distorce tudo e todos.
Um dos últimos textos publicados
por Freud chama-se “Por que a guerra?” e trata-se de uma carta resposta a
Einstein que escreve ao pai da psicanálise interrogando os motivos emocionais
que fazem as pessoas guerrearem ao invés de caminhar pelo diálogo e pela
diplomacia. Que necessidade é essa de precisar destruir o outro, invadir
territórios, querer tanto domínio e dinheiro a custo de vidas? Não seria essa
uma das razões de tanta dor emocional e problemas sérios psicológicos da atualidade?
Einstein argumenta que o ser
humano já havia chegado, naquela época (1934), a um patamar intelectual que
deveria ser óbvio que não acontecessem essas atrocidades. Freud explica que no
emocional existe um além. Uma satisfação incomensurável de ir além que
ultrapassa o simbólico e a diplomacia. Freud diz que o ser humano vive uma
constante luta entre as pulsões de vida e de morte. Esta luta permeia muitas das
dificuldades e esforços humanos como: parar de beber, fumar, comer em demasia,
brigar. E o crescimento do sujeito e da
humanidade está em conseguir prorrogar seus impulsos em prol de desejos e projetos
em comuns com a sociedade, abrindo mão de embates físicos e destrutivos...
Ainda há um caminho para alcançarmos este objetivo!
Fabiana Ratti, psicanalista.
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