Molière - dramaturgo, ator e encenador francês (1622-1673) - escreveu mais de 30 peças, todas elas criticando a sociedade, a hipocrisia e os costumes inúteis.
"Doente Imaginário" um dos melhores títulos para a psicanálise. Essa encenação do grupo Galpão mostra o quanto temos de doentes imaginários, doentes psíquicos pelo mundo... que se confunde com doenças biológicas e então não buscam o tratamento que seria melhor para o aparelho psíquico e continuam dando trabalho para os familiares, para as pessoas em volta e o sistema de saúde.
Don Juan - O clássico conquistador que temos em diversas sociedades que arrasa o coração das moças com frases de efeitos psicológicos... Molière faz com maestria apontando hipocrisias e mentiras que nossa sociedade ajuda a construir...
Escola de Marido e Escola de Mulheres mostram tradições e costumes da época. Século XVII, outra relação com os costumes homem e mulher que Molière já criticava e ridicularizava naquela época.
A psicanálise que surge no século XX trabalha para que as pessoas consigam traduzir em palavras o que sentem e consigam se colocar, se posicionar, sem cair em armadilhas imaginárias... doenças, amores e situações sociais desnecessárias.
A arte como contribuição para o debate cultural entre Psicanálise, História e Sociedade.
quarta-feira, 29 de abril de 2020
terça-feira, 7 de abril de 2020
A Vida é Bela de Benigni e O Covid-19
A comédia dramática A Vida é Bela (1997) do Italiano
Roberto Benigni se passa na
Segunda Guerra Mundial e narra a vida de Guido Orefice, um judeu dono de uma livraria na Itália fascista. Ele é levado para o campo de concentração em Berlim junto com seu filho pequeno e para suavizar a vida de seu filho, brinca que aquilo é um jogo.
Segunda Guerra Mundial e narra a vida de Guido Orefice, um judeu dono de uma livraria na Itália fascista. Ele é levado para o campo de concentração em Berlim junto com seu filho pequeno e para suavizar a vida de seu filho, brinca que aquilo é um jogo.
Em 1997, quando assisti, senti que a 1ª parte do filme era
maravilhosa e a segunda parte grotesca, de mal gosto, como brincar daquele modo
com uma situação tão séria, onde morreram tantas pessoas de forma tão violenta?!
A psicanálise é um exercício de reflexão que muda a realidade.
A reflexão faz com que a gente veja e
entenda as situações e o mundo de uma forma diferente, ressignifica o passado dando
um outro sentido para nossas ações e decisões.
Foi o que aconteceu com esse filme para mim... 23 anos depois.
Agora, neste momento histórico, tenho lembrado muito desse filme... Na época,
não tinha filhos, hoje, com duas crianças entendo melhor a questão de um pai em
querer suavizar a realidade...
A negação é um processo psicológico que nos impede de ver
muitas coisas, às vezes, trazendo grandes prejuízos, outras, nos salva... Guido
Orefice conseguia “negar a realidade”, obedecendo à realidade. Incluía regras e
restrições, chatices e penúrias, com muito bom humor.
Hoje, sem saber o futuro... as consequências e transformações
pelas quais passaremos... sabemos que a Vida é Bela, que todos querem continuar
vivendo... que queremos que quem amamos vivam conosco... e o humor, misturado com o faz de conta, torna sim a Vida mais Bela,
e mais leve de ser vivida...
Nesses anos todos, jamais pensei que um dia diria isso, mas
esse filme mereceu o Cannes, o David Di Donatello e todos os Oscares que ganhou.
Para além dos fatos históricos, nossa estória somos nós quem a escrevemos...
Por: Fabiana Ratti, psicanalista
sexta-feira, 13 de março de 2020
Corona vírus, o crash da bolsa de 29 e o pânico das massas
Em 1921 Freud escreveu “Psicologia das massas e análise do eu”
em que fala o quanto o ser humano é suscetível a um líder, a um comando, e o
quanto as pessoas perdem a capacidade de raciocinar, passando a agir apenas
pelo emocional pela via da identificação. Essa suspensão da razão vem acontecendo
diante do Covid-19. Todos sabemos o quanto temos muitas outras epidemias,
acidentes e violência em nosso país, mas há uma ‘identificação Universal’ que
está paralisando o mundo de forma devastadora. Esse fato nos mostra, acima de
tudo, o quanto Freud estava certo ao colocar no começo do século passado que
somos muito mais comandados pelo nosso inconsciente/emocional, do que pelo
nosso consciente/racional.
Mesmo sabendo de estatísticas e dados, agimos por
desespero e pânico. Quantas
pessoas se suicidaram com o crash da bolsa de 1929?
Quantas pessoas perderam trabalhos, projetos, família e dessa forma, perderam a
vida? Esse vírus pode trazer mazelas biológicas, mas, acima de tudo, a forma de
encará-lo está tirando sonhos, projetos, dinheiros e oportunidades para pessoas
e países, podendo arrastar o mundo para uma situação devastadora. O vírus é o
vilão? Não. Mas a forma de recebe-lo e enfrenta-lo poderia ser diferente. Urge
que a sociedade inclua mais a saúde mental e possa ter mais forças para se
destacar das massas e utilizar as emoções em parceria com a razão para tomar as
diretrizes cabíveis em situações como essas.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
Perversões em debate
William Bouguerreau (1825-1905) The Oreads (1902)
Neste ano de
2020 faremos um grupo de estudos sobre perversão de sexta feira às 14hs e vou
esclarecer aqui algumas razões de porque estudar as perversões:
1 – Ao
estudar as perversões, estudamos as outras estruturas: neurose e psicose. Das
estruturas propostas por Freud: neurose, psicose e perversão; a perversão é a
menos estudada, e ao fazer isso, sempre fazemos referência à neurose, a qual
Freud mais se dedicou e à psicose, a qual Lacan trouxe grandes avanços.
2 – O
segundo motivo para estudar as perversões é que muitos ainda colocam o perverso
somente como aquele absoluto carrasco que açoita seu parceiro com chicote na
cama. O restante não é perverso. Isso é o mesmo que dizer que a histérica
deveria ser ainda hj aquela que em 1900 fazia conversão somática e ficava
paralisada na metade do corpo, ou cega, ou falava em outra língua. Existem
vários mitos em relação ao perverso. E isso se dá por falta de estudo. Por
falta de avanço teórico e discussão clínica. Frases como: “o perverso não
procura atendimento”. “não existem mulheres perversas.” Ou mesmo a concepção de
que eles seriam somente este carrasco estereotipado. Todos esses são mitos por
falta de estudo. Os sintomas mudam conforme o passar do tempo, temos de
acompanhar a perversão.
3 – O terceiro
motivo seria porque podemos dizer que existe a estrutura perversa, mas hj em
dia discute-se muito: o empuxo à perversão, o perverso polimorfo, acting out
perverso, a posição perversa, o modo de gozo perverso. Ou seja, a perversão não
está lá excluída, longe e distante. Ela está no dia a dia, na clínica, na
política, nas relações sociais, mesmo que o sujeito não tenha uma estrutura
perversa, suas faces e nuances estão na sociedade e é preciso estudar para
manejá-la.
4 – O quarto
motivo é que estamos construindo uma sociedade cada vez mais perversa. Então,
além da clínica, precisamos articular com a sociedade, com a política. E a
lógica da perversão é o desmentido, a negação: eu vi, mas não vi a lei. Eu vi,
mas vamos brincar que não vi. Isso acontece direto em nossa sociedade atual e precisamos
discutir, nos posicionar frente a isso.
Vamos
estudar... venham participar... Assim como Freud enfrentou o saber médico e
construiu a metodologia da psicanálise a partir das neuróticas; assim como
Lacan trouxe grandes contribuições para a psicose, não deixando apenas para o
ramo da psiquiatria, apresentando uma nova forma de atuação clínica; agora é o
momento de não recuarmos ante à perversão e elaborarmos novos manejos
compatíveis com o século XXI, usufruindo constructos vindos de Freud e Lacan
sobre esse saber.
Por: Fabiana Ratti, psicanalista.
Grupo de estudos: Perversões em debate
psicanálise de Freud a Lacan
“Que a
crueldade e a pulsão sexual estão intimamente correlacionadas é-nos ensinado,
acima de qualquer dúvida, pela história da civilização humana...” Freud,
1905, p.150. Três ensaios sobre a sexualidade infantil.
“Mas é
exatamente neste frígido e repugnante semidesespero, nesta semicrença, neste
consciente enterrar-se vivo, por aflição, no subsolo ...; nesta situação
intransponível criada com esforço e, apesar de tudo, um tanto duvidosa, em toda
esta peçonha dos desejos insatisfeitos que penetraram no interior do ser.”
Dostoievski, Notas de um subsolo
Psicanalista:
Fabiana Ratti
Assistentes:
Jessica Olivieri e Guilherme Figueiredo
Toda sexta
feira – a partir de 6 de março de 2020 das 14h às 15:30h.
Local: Rua
Cônego Eugênio Leite, 933 cj 75. Pinheiros
Whatasapp (11)
999558857
Site:
fabianaratti.com.br insta: fabianaratti
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
“Além do Princípio do Prazer”, Freud (1920-2020).
Neste ano faremos uma grande festa em comemoração
aos 100 anos do texto:
“Além do Princípio do Prazer”, Freud (1920-2020).
Venham participar!
Neste texto revolucionário Freud apresenta os
conceitos:
- Pulsão de vida e de morte
- Compulsão à repetição
- Estado de inércia psíquica
- Passou assim para a segunda tópica do aparelho
psíquico e nos comunicou que ficar só no prazer é muito pouco... existe algo
além!!!
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
Amar não tem preço e a posição feminina para Lacan
Amar
não tem preço (2006) é um filme francês dirigido por
Pierre Salvadori e estrelado pela bela e talentosa Audrey Tautou. Irène
(Tautou) é uma jovem interesseira que vive aplicando golpes em senhores mais
velhos e endinheirados com o intuito de subir ao altar, mas sempre comete
gafes, atos falhos, que a impedem de alcançar "seu objetivo". Até que encontra um
jovem simples e o amor fala mais alto.
Irène passa a dar aulas a
Jean (Geld Elmaleh) excelente ator marroquino, de como “tirar” dinheiro e
seduzir os mais velhos. Ela dá aulas sobre a posição feminina, discutida por
Lacan no Seminário XX. Irene nunca bate de frente, suspira e fala frases que
ficam pela metade, deixa seu desejo subentendido por entre linhas... frases que
deixam o desejo em aberto.
Je voudrais...
Je voulais...
I wish...
I would like...
I would love...
Eu gostaria...
Eu adoraria...
No discurso masculino,
aparece muito no divã o quanto as mulheres são chatas, reclamam, batem de
frente, voltam na mesma tecla, querem tudo do jeito delas... Irene dá uma aula
sobre a posição feminina. Como conseguir todos os seus desejos com um sorriso
no rosto, gestos delicados e muito suspiro...
Quando, na adolescência,
lia Conan Doyle, ele já avisava que Sherlock Holmes e seu arqui-inimigo
Moriarty tinham as mesmas características, as mesmas habilidades. A grande
diferença é que um utilizava essas habilidades para o crime e o outro para
resolvê-los, ajudando a Scotland Yard e a nação.
O filme apresenta essa
mesma questão para a posição feminina, dando ao sujeito a liberdade de escolha,
de que forma atingir seus objetivos e utilizar suas habilidades.
Lacan, nesta mesma linha,
aponta a diferença entre fazer sintoma (ficar reclamando, chorando, mandando) e Saber Fazer com a vida...,
com estilo, com talento, direcionar a vida e as situações de maneira gentil e inteligente... Se for por amor, aí então, não tem preço!!
Fica a dica!
Por: Fabiana Ratti,
psicanalista.
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